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Dresden

  • 28 de mar. de 2016
  • 5 min de leitura

As sirenes tocam; por toda a Florença do Elba as sirenes antiaéreas tocam, era 21h39 de 13 de fevereiro de 1945.

Assim fora o começo do bombardeio a Dresden, um dos mais intensos e arrasadores bombardeios que o Reich viria a sofrer, e que entraria para a história como um ato desproporcional e desnecessário.

A guerra estava no fim e a Alemanha estava derrotada, mas se recusava a aceitar este fato. Para os aliados a rendição alemã tinha que ser acelerada e Dresden, uma cidade com 630 mil habitantes fora escolhida para lembrar a população que cada dia de apoio ao Führer era um dia de sofrimento.

Dresden não era considerada relevante do ponto de vista militar e nem mesmo estratégico. Dresden era uma cidade importante do ponto de vista cultural, detentora de uma fina indústria de porcelana, de arquitetura barroca e com muitas igrejas e monumentos que naquele momento abrigava dezenas de milhares de refugiados. Dresden era um dos berços culturais da Alemanha.

Naquela noite 796 bombardeiros Avro Lancasters incluindo nove De Havilland Mosquitos compondo a primeira onda atacaram a cidade lançando 1478 toneladas de alto explosivo e 1178 toneladas de bombas incendiárias.

Em apenas 23 minutos o centro da cidade estava em chamas. O incêndio era tão intenso que os pilotos britânicos relataram que a 320 quilômetros de distancia era possível ver a cidade queimando.

Três horas após a primeira onda, por volta da 01h00 hora, a segunda onda de 529 Lancasters lançava 800 toneladas de explosivos alimentando os incêndios.

No dia seguinte em 14 de fevereiro 316 Boeings B17s chegaram à cidade logo após o meio dia contribuindo com 771 toneladas de bombas. Este segundo ataque foi considerado covarde por ter como objetivo não apenas ampliar a destruição, mas principalmente atingir as equipes de resgate e os sobreviventes. Bombeiros, policiais, paramédicos e voluntários eram mortos de maneira indiscriminada com o intuído de ampliar ao máximo o numero de mortos. Os aliados continuavam a acreditar que tais ataques contra a população civil iriam quebrar a moral da população alemã, mas só instigaram ainda mais a violência e ódio desta pelos aliados.

No dia seguinte, cerca de 200 bombardeiros norte-americanos atacaram novamente a cidade por volta das 12h00 em decorrência de que seu alvo primário; a refinaria de combustível sintético de Böhlen estava encoberta por nuvens. Este ultimo ataque atingiria além de Dresden, as cidades vizinhas, Meissen e Pirna. Isto por que Dresden também estava coberta por nuvens de fumaça oriunda dos incêndios.



Abaixo há relatos de dois sobreviventes que vivenciaram o taque.

À minha esquerda de repente eu vejo uma mulher. Posso vê-la até hoje, nunca esquecerei isso. Ela carrega algo em seus braços. É um bebê. Ela corre, ela cai, e a criança voa em arco para o fogo.


De repente, vejo pessoas novamente, bem na minha frente. Elas gritam e gesticulam com as mãos, em seguida para meu horror e espanto vejo uma após a outra simplesmente deixarem-se cair no chão. (Hoje eu sei que essas pessoas foram vítimas da falta de oxigênio). Eles desmaiaram e depois queimaram até as cinzas.

Um medo insano toma conta de mim e desde então repito para mim uma simples frase constantemente: “Eu não quero queimar até a morte”. Eu não sei quantas pessoas eu vi cair. Sei apenas uma coisa: eu não vou queimar.


- Margaret Freyer, sobrevivente.




Não é possível descrever! Explosão após explosão. Foi inacreditável, pior do que o pesadelo mais assustador. Muitas pessoas ficaram horrivelmente queimadas e feridas. Tornou-se mais e mais difícil respirar. Estava escuro e todos nós tentamos deixar a adega (que era naquele momento um abrigo improvisado) em pânico. Os mortos e moribundos foram pisoteados, Nossos bagagens eram lançadas a esquerda ou retirada de nossas mãos pelas equipes de resgate. A cesta com nossos gêmeos estava coberta com panos molhados, ela foi tomada das mãos de minha mãe e nós fomos pressionados a andar pelas pessoas que estavam atrás de nós. Vimos à rua queimando, as ruínas caindo e a terrível tempestade de fogo. Minha mãe nos cobriu com cobertores molhados e casacos que ela encontrou em uma banheira com água.


Vimos coisas terríveis: adultos cremados encolhidos ao tamanho de crianças, pedaços de braços e pernas, pessoas mortas, famílias inteiras queimarem até a morte, pessoas queimando corriam para lá e para cá, abrigos queimados cheios de refugiados civis, socorristas e soldados mortos, muitas pessoas estavam chamando e procurando por seus filhos e familiares e fogo, em todos os lugares, em todos os lugares o fogo, e todo o tempo os ventos da tempestade atiravam as pessoas de volta nas casas em chamas das quais estas estavam tentando escapar.

Eu não posso esquecer esses detalhes terríveis. Eu nunca vou esquecê-los.


- Lothar Metzger, sobrevivente.


O ataque a Dresden era parte de um plano maior criado pelo marechal Arthur Harris, inglês e pelo general Carl Spaatz, americano, a operação Thunderclap. O inicio seria a três de fevereiro com ataques previstos em Berlim, Magdeburg, Chemnitz e a própria Dresden que seria a primeira cidade a ser atacada. Porem as condições meteorológicas inadequadas forçaram a modificações no plano original.

Das 84 peças de artilharia antiaérea presentes em 1944 poucas restavam, pois a maioria fora levada para o leste no esforço de deter a ofensiva soviética.

A Luftwaffe dispunha de 28 caças, incluindo dez Messerschmitts Bf 110 para defesa da cidade, porem a interferência no radar promovida pelos bombardeiros com a tecnologia de fragmentos metálicos impediu uma atuação minimamente eficiente por parte dos caças. Tudo que restou aos pilotos foi assistir a cidade queimar do chão.

Como perdas os aliados tiveram seis bombardeiros britânicos abatidos sendo que três deles foram derrubados por bombas lançadas por outros bombardeiros que estavam acima destes. Apenas uma aeronave norte-americana foi perdida; e isto ocorreu no dia 14.


Estimativas


Ao final haviam sido lançadas 3900 toneladas de bombas sobre a cidade. O incêndio resultante do ataque durou uma semana, apenas no centro da cidade 39 quilômetros quadrados foram destruídos.


A destruição pode ser vista pelas estatísticas.


6470 lojas

200 fábricas

19 hospitais

640 depósitos

70 igrejas e capelas

56% da aérea não industrial destruída.

23% da aérea industrial da cidade destruída

Após a guerra, as estimativas eram de 250 mil mortos, porem somente após uma extensa pesquisa realizada em 2010 a pedido da prefeitura de Dresden chegou-se a um numero definitivo. Entre 22700 e 25000 pessoas morreram nos ataques; ainda sim um numero bastante elevado e poucas vezes superado.






O Holocausto nazista está entre os genocídios mais perversos da história. Mas o bombardeio de Dresden pelos Aliados e a destruição nuclear de Hiroshima e Nagasaki também foram crimes de guerra.


— Gregory H. Stanton

Imagens

Dresden em 1890


Dresden em 1910

Dresden após o ataque

Vítima

Vítima?

Havia tantos corpos que tornou-se necessário cremá-los para evitar doenças

Sugestão de leitura

DRESDEN

terça-feira, 13 de fevereiro de 1945

Bombardeiro inglês Avro Lancaster utilizado no ataque a Dresden

Bombardeiro norte-americano Boeing B17 utilizado no ataque a Dresden

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